Especialista defende modernização do Estado

O Estado, da forma que está, não vem funcionando. A afirmação foi feita pela presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Erika Morreale, durante uma live realizada ontem pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO. O evento on-line tratou da importância da reforma administrativa para o Brasil.

Durante a transmissão, Erika Morreale ressaltou a relevância de modernizar o Estado e de rever a lógica da gestão das pessoas no setor público que, segundo ela, é muito complexa. Para a presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Fiemg, o que se tem atualmente no Brasil é uma das maiores cargas tributárias do mundo, enquanto os serviços chegam com baixa qualidade aos cidadãos.

Enviada para o Congresso Nacional no início de setembro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 32 trata de diversas mudanças no regime atual. As transformações envolvem desde as formas de ingresso no setor público até pontos relacionados à estabilidade dos servidores. Para Erika Morreale, a reforma administrativa é muito importante diante de uma máquina pública que inchou de maneira desordenada.

“Infelizmente, o que a gente vivencia são gastos administrativos exorbitantes, consumindo os recursos públicos, e a população não recebendo as contrapartidas que faria jus”, disse.

Pandemia – Além de citar diversas questões que, na opinião dela, precisam ser revistas no que diz respeito à administração pública atual, como o não incentivo à produtividade e a progressão automática de carreira pelo tempo de serviço, Erika Morreale destacou um motivo a mais para as mudanças: as despesas públicas que se tem hoje. Conforme lembrou, a pandemia da Covid-19 trouxe ainda mais desafios nesse sentido.

“Foram muitas despesas emergenciais que se agregaram a esse rombo fiscal que a gente já vivia. As medidas emergenciais, é bom citar aqui os auxílios emergenciais que têm sido concedidos, não somente na esfera da população como um todo, mas também aquele suporte para os empregados, para as empresas manterem, honrarem os compromissos com salários sendo financiados parte pelo governo federal”.

Dessa forma, disse, já se estima que o aumento do gasto público até o fim do ano possa bater um recorde histórico, comprometendo 100% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“É muito grave isso. E a gente entende que é uma realidade que precisa ser enfrentada. Se isso não for enfrentado, a população que já sofre muito com a ineficiência estatal na prestação dos serviços públicos, nessa seara, ela vai sofrer muito mais”, avaliou.

Erika Morreale lembrou, ainda, dos mais de 13 milhões de desempregados atualmente no País. “O nível de desemprego é alto e é persistente. Então, a reforma administrativa vem também contribuir nesse sentido porque um Estado menos inchado e que presta melhor serviço à sociedade, sem falar em um aumento da carga tributária, que já é muito alta, eu creio que é de muito bom tom”, disse.